ESTEJAMOS PRONTOS

Há tempos eu não tinha um Domingão só pra mim. Sabe aquele domingo perfeito no qual você faz jus ao Ócio? Pois bem, isto é o que classifico como “Domingão”, pois com ele eu consigo dar aquele belo mergulho lá pro fundo da minha alma, e me deliciar com análises sobre mim e sobre as imagens do cotidiano que ficaram registradas em minha memória.

Sabe o que eu acho engraçado? Alguns amigos dizem, e até riem de mim,  por eu ver e sentir a vida baseando-me sempre no sentimento do Amor. Mas eu nunca me envergonho disso, também não temo em estar fora da curva desta nova geração que negligencia tanto este sentimento ao ponto de não saber usar, lidar e muito menos dar significado a ele.

Em todos os cenários que me circundam consigo identificar a  presença ou ausência de amor. Por exemplo, ontem em um almoço, eu presenciei uma cena de conflito, entre uma “Prezado Senhor” da burguesia paulistana – que nitidamente não possuía uma consciência amorosa – desrespeitando e agredindo física e verbalmente em público uma “Mocinha Transgênero”. Foi um cena triste de conflito, na qual pude sentir a dor de cada palavra que ela  proferia, questionando o por quê dela não ter sido respeitada pela atitude, pela fala e pelo olhar dele, enfim…. Saí de lá pensamento: “Se as pessoas fossem mais amorosas, ninguém, ninguém sofreria tanto assim. As situações de conflitos seriam praticamente nulas, pois não haveria motivos para cometê-las. “

O “Prezado Senhor” certamente sempre negligenciou este sentimento, e a “Mocinha Transgênero” deve estar colecionando uma caixa repleta de ações violentas que são destinadas a ela, e que estão cheias de ausência amorosa, de consciência amorosa.

Não irei me prender a este fato, mas apenas queria exemplificar como a ausência deste sentimento pode irradiar em ações violentas no nosso cotidiano. Mas voltemos ao domingão perfeito de reflexões.

Percebi que depois de anos de terapias alternativas, na tentativa de aprender a aceitar, entender, e aproveitar esse sentimento que se chama Amor, eu consegui andar umas 3 casas neste jogo da vida, pois hoje sou praticamente minha própria terapeuta, e ainda consigo brincar de forma séria, sendo terapeuta ocasional de alguns amigos que vivem situações  que já estiveram espelhadas em minha vida no passado. E em cada história compartilhada, eu consigo praticamente reviver as situações. A cada abandono, a cada desrespeito, a cada chantagem emocional, a cada choro, a cada engano, e todo aquele belo leque de ações e consequências que qualquer relacionamento indigno pode carregar em si.

A cada momento, percebo que a vida me traz aprendizagens a partir das pessoas que permanecem ao meu lado, e posso dizer que venho aprendendo muito com uma atual amiga, a qual, hoje, possui uma das personalidades que eu já tive muito no passado: A mulher que carrega um grande  medo de não ser amada.

Ahh…. quem nunca, não é mesmo?

Hoje quando olho pra trás não consigo entender bem como estive tanto tempo presa neste labirinto. E sim, eu classifico esta fase como um labirinto, porque quando não sabemos o que é de fato o amor, viramos a cada esquina e  pronto, pensamos:”Olha só! Aí está meu amor”, mas esta sensação dura pouco, este leigo encantamento dura muito pouco, pois logo em seguida percebemos que pegamos a trilha errada deste labirinto e pum! Metemos literalmente a cara no muro. E ainda enganados,  continuamos a nos perder mais e mais, pois mesmo ainda tontos queremos continuar correndo em busca do caminho, que talvez nos leve ao fim deste labirinto, direto para o “mozão” dos sonhos, mas sabemos que não funciona assim.

Hoje consigo considerar que, estarmos perdidos dentro deste labirinto, que acreditamos que irá nos levar à verdadeira experiência amorosa na vida, não importa. Realmente não importa quanto tempo passamos perdidos lá dentro, não importa quantas vias erradas pegamos, não importa quantas batidas de cara no muro, não importa quantas feridas que não esperamos cicatrizar para continuar esta jornada.  O que importa é como saímos deste labirinto. E sair deste labirinto não significa estarmos prontos para a pessoa certa, que tanto queremos, mas estarmos prontos para o Amor. Pois o Amor traz tudo. Traz a pessoa certa, traz a vida equilibrada, traz sorrisos e alegrias, traz a tranquilidade, traz as experiências positivas, traz as relações saudáveis, e traz o nosso equilíbrio com o meio ambiente, e com todo aquele leque de coisas belas que tanto queremos agregar em nossas vidas.

Desejo que todos que ainda estão vagando em seus labirintos interiores saiam deles prontos. Sim, espero que todos nós estejamos prontos para o Amor de uma forma universal, pois assim conseguiremos  senti-lo de forma total em nossas vidas ( na sua, na minha, e na do nosso próximo), e o resto…. o resto vem na mesma onda e vibração amorosa que intencionamos. O que realmente importa é que estejamos prontos para agregar este sentimento em nossas vidas e saber aproveitar o bom do amor.