EDUARDO SARON – DESTAQUE CULTURAL DO ANO, SEGUNDO PRÊMIO GOVERNADOR PARA A CULTURA

Neste ano o Prêmio Governador de Estado de São Paulo para Cultura contemplou Eduardo Saron, atual diretor do Itaú Cultural, como Destaque Cultural do Ano, em entrevista com Happy Pills Cult, Eduardo  falou sobre a experiência de ter sido escolhido para receber o Prêmio em 2018:

Happy Pills Cult: Nos fale um pouco de como é estar sendo o escolhido para receber o Prêmio Destaque Cultural do ano de 2018:

Eduardo Saron: “ Feliz, super feliz , e honrado de estar, não só sendo homenageado,  mas também de estar presente neste prêmio como tantas outras pessoas relevantes. É sempre bom saber que o Governo se volta para homenagear e celebrar a Cultura e a Arte, e hoje é um dia desses, onde se reúne boa parte do Setor Cultural de São Paulo e alguns do próprio país para pensarmos um pouco sobre o papel transformador que a Arte e Cultura oferece à sociedade, fazendo com que o sujeito seja um protagonista do seu próprio fazer.”

 

Happy Pills Cult: Nos fale um pouco do trabalho que você vem desenvolvendo no Itaú Cultural.

Eduardo Saron: Estou há 16 anos atuando no Itaú cultural, tendo como sempre o princípio de empatia, o diálogo, e o entendimento que às vezes  nós podemos aprender muito mais com as experiências dos outros, do que necessariamente oferecendo nossas próprias experiências. Eu acho que isso é um pouco do que mobiliza o sentimento, não só meu, mas de toda a  equipe do Itaú Cultural.”

 

Happy Pills Cult: Como se estabelece o diálogo entre seu trabalho no Itaú Cultural e com a Gestão Pública Estadual e Municipal?

Eduardo Saron: “Temos vários campos de diálogo. Primeiro que nossos projetos sempre têm espírito público, na sua  origem, no seu propósito e na sua realização. Nós temos desde uma Enciclopédia que fala de Arte e Cultura do país inteiro, que certamente dialoga não só com os equipamentos e com ações públicas, mas com as Academias, com pesquisadores, com  professores, e com os curiosos da Arte e da Cultura no geral. O programa como Rumos Itaú Cultural, mais de 20 anos com seu edital público, que tem um espírito muito parecido com os editais que as próprias Secretarias estaduais e municipais, e o próprio Ministério da Cultura fazem. Então acho que essas ações, pelo fato de ter uma estrutura, não só de democratização de acesso mas de formação, dialogo profundamente  com a gestão e com o poder público.”

 

Eduardo Saron também carrega em sua bagagem de ofícios a direção da Associação Nacional de entidade Culturais Não Lucrativas ( ANEC). Também é conselheiro do Museu de Arte de São Paulo ( MASP), da São Paulo Companhia de Dança e membro do Conselho Nacional de Política Cultural ( CNPC) do Ministério da Cultura, além de ser vice – presidente executivo da Fundação Bienal de São Paulo.

Escolhido pelo júri técnico formado por Iatã Cannabrava, Marcos Mendonça e Marika Gidali, o  gestor recebeu premiação avaliada no valor de R$ 100 mil reais, em reconhecimento à sua trajetória profissional e por sua contribuição para a democratização do acesso, incentivo, difusão e valorização da a Arte e Cultura no Estado de São Paulo.  

Ao ser premiado Eduardo Saron expressou em seu discurso de agradecimento:

“ Obrigado a Secretária de Cultura, ao Governo do Estado de São Paulo e  aos amigos do cenário artístico que estão aqui. Estou feliz pois, de alguma forma nós  representamos um pouco da gestão cultural deste país, uma gestão de resistência e de resiliência, como também foi citado por Luis Sobral e José Luiz Penna, que esta em busca permanente pela transformação.

Estamos  por muito tempo coroando algo importante e fundamental, que é a democratização de acesso da cultura, e ela continuará cumprindo  um papel importante, fazendo com que cada vez mais as pessoas terão acesso a arte e a cultura do Brasil.

Mas eu queria  pedir aqui para pensarmos que é preciso darmos um passo a frente. A democratização do acesso é importante e fundamental, mas dar  um passo a frente deste caminho é determinante para nós compreendermos o papel da cultura e da arte no nosso país.

Precisamos pensar mais do que na democratização do acesso, e isso vem muito em encontro com o que  o Penna disse sobre a radicalização triste que esse país passa. Isso vem muito ao encontro do que o Sobral falou sobre a necessidade que temos em colocar mais recurso na Cultura para termos menos necessidade de policia nas ruas e de penitenciárias sendo feitas. Nós precisamos avançar para a Democracia Cultural, e isto é de fato o grande papel transformação da cultura brasileira. Precisamos pensar que, mais do que dar mais acesso à população, é importante pensarmos que, a transformação só ocorre quando o sujeito passa a ser o verdadeiro transformador da sua personalidade e da sua sociedade que vive em seu entorno.

(…)

A cultura tem essa força, a arte tem essa força, e nós precisamos fazer  com que os nossos governantes, os nossos gestores federal, estadual e municipal, que nossa sociedade percebam a força da cultura a partir da democracia cultural.

Os governantes precisam ter a arte e a cultura como matriz de toda e qualquer política pública.

Para combater a insegurança: cultura e arte. Para combater todos os problemas educacionais: cultura e arte. Para combater e diminuir o número de penitenciárias no nosso país: cultura e arte. Nós  sabemos disso, e sabemos o quanto isso transforma cada um de nós, e precisamos cobrar dos nossos governantes para que cada vez mais saibam disso, para que nós possamos definitivamente ter um país transformado. “

Ao entregar o prêmio ao destaque da noite, o atual Secretário de Cultural de São Paulo, José Luiz Penna, ressaltou o quão merecida foi a destinação deste prêmio à Eduardo Saron: “ Acho que a comissão teve uma grande sensibilidade pois não tem nada que acontece culturalmente na cidade de São Paulo, no estado de São Paulo e no Brasil que não tenha o apoio, e o toque do nosso querido homenageado.”

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Criado nos anos 1950, o Prêmio Governador do Estado para a Cultura foi um dos mais prestigiados e concorridos da época – não só pelo reconhecimento que oferecia aos artistas, como também pela quantia em dinheiro que destinava aos vencedores. Inicialmente dedicado apenas ao Teatro, a premiação oferecia 500 mil cruzeiros em 1957, equivalentes a cerca de R$ 150 mil.

Um dos primeiros vencedores foi o ator e diretor Sérgio Cardoso (1925-1972) ao lado de sua então esposa Nydia Licia (1926-2015). Pouco antes de morrer, a atriz recordava a elegância e notoriedade do Prêmio, cujas cerimônias eram realizadas em espaços privilegiados da Capital.

Ao longo de três décadas, o Prêmio reconheceu nomes importantes do teatro brasileiro – as atrizes Fernanda Montenegro, Aracy Balabanian e Eliane Giardini estão entre eles, ao lado de Juca de Oliveira, Stênio Garcia e tantos outros.

Em meados dos anos 1980, o evento foi interrompido. Retomado pela Secretaria de Estado da Cultura em 2010, o Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura ressurgiu com um novo formato. Agregou novas categorias e passou a reconhecer o trabalho de profissionais atuantes em várias outras linguagens artísticas, como dança, cinema, artes visuais, circo e música. Também adotou a participação popular por meio de uma votação na internet.

Desde 2011, o Prêmio escolhe um Destaque Cultural, indicado por toda a sua trajetória. O crítico literário Antonio Candido foi o premiado em 2012, a artista plástica Tomie Ohtake em 2013 e o poeta Paulo Bomfim em 2014.
Em 2014, foi criada a modalidade Arte para Crianças. A modalidade Inclusão Cultural ganhou a denominação Territórios Culturais; já o Mecenato deixou de ter uma categoria própria.

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CAPA: O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron (Itaú Cultural / Divulgação)